Testemunha fala sobre beijo que teria sido dado por Cristiana

As audiências de instrução do processo que investiga a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas recomeçaram na tarde desta quarta-feira (20), com o depoimento de um investigador da Polícia Civil, no Fórum de São José dos Pinhais. O policial relatou como as investigações começaram, e disse que Edison Brittes era conhecido por alguns colegas como “Juninho Play”.

Durante o depoimento, o investigador explicou que outro policial foi até o local em que o corpo de Daniel foi encontrado, no dia 27 de outubro de 2018, e que a situação já indicava, para ele, um crime passional – a vítima estava parcialmente degolada e com o pênis cortado. No dia seguinte ao crime, o policial disse que todos perceberam que o caso teria uma grande repercussão, já que a vítima em questão era ex-jogador do São Paulo.

Já na segunda-feira – dois dias após o crime – o investigador teve contato com um amigo de Daniel, que também esteve na festa de aniversário de Allana Brittes, em uma balada no bairro Batel, em Curitiba. O rapaz, então, teria lhe contado que o amigo foi para um after “de um comerciante de muitas posses”, e mostrou fotos da balada. Pelas imagens, os policiais reconheceram Edison Brittes, conhecido no meio como “Juninho Play”. Em seguida, de acordo com o investigador, uma testemunha próxima à família Brittes foi ouvida e detalhou como a situação se desenhou: Edison saiu para comprar bebida e, na volta, perguntou por Daniel. O homem, então, procurou o jogador pela casa e o encontrou com Cristiana.

A prisão

Quando os mandados de prisão foram expedidos, após o depoimento da testemunha-chave do caso, o policial foi à casa da família Brittes e ninguém foi localizado. De acordo com o investigador, um amigo de Daniel viu, por coincidência, Cristiana e Edison em um carro, e acionou a polícia. Com o apoio da Polícia Militar (PM), o casal foi localizado em um posto de combustíveis, e Edison teria tentado fugir pela janela do veículo. Cristiana Brittes foi presa e encaminhada à delegacia e, de acordo com o policial, o advogado Claudio Dalledone se comprometeu a apresentar Allana Brittes no dia seguinte.

A casa da família Brittes

No depoimento, o investigador relatou que Edison e Allana Brittes estavam na casa da família, acompanhados por advogados, e que somente o homem falou com os policiais neste momento. Na primeira vez dentro da casa da família Brittes, o policial relatou que não existiam vestígios de violência e que o local estava limpo. A porta do quarto do casal, porém, estava arrombada, e Edison teria lhe afirmado que “arrombou a porta quando ouviu Cristiana pedir socorro”.  

Edison teria intimado os demais

De acordo com o investigador, Edison Brittes assumiu que intimou os demais homens da casa ao colocar Daniel dentro do carro após as agressões. “Quem quiser ir comigo, vamos ver quem é homem”, teria dito o réu ao policial. Além disso, o investigador afirmou que foi um consenso da família Brittes tirar o jogador da casa, o que causou uma reclamação por parte do advogado Claudio Dalledone durante o depoimento. O policial, porém, manteve a colocação e disse que muitas testemunhas relataram que Cristiana Brittes pediu para que Daniel fosse retirado do local.

O investigador relatou, ainda, que Cristiana lhe disse que Daniel havia “destruído sua vida”, o que deixou claro para ele que a mulher não conseguiu evitar o crime.

História aparentemente combinada

Em seguida, o investigador comentou que os demais envolvidos nas agressões ao jogador foram identificados, e que logo se apresentaram na delegacia com uma história aparentemente combinada. Edison, por sua vez, relatou ao policial como fez o trajeto de carro até o local em que matou Daniel – para o investigador, o réu teria afirmado que primeiro matou a vítima e, em seguida, decepou seu pênis.

Selinho de Cristiana em amigo de Daniel

O investigador reafirmou, durante o depoimento, que a primeira pessoa com quem conversou durante as investigações foi um amigo de Daniel. O rapaz confessou ao policial que Cristiana Brittes havia lhe dado um “selinho” durante a festa na balada, e que a mulher estava bem à vontade, “dando mole”.  O amigo do jogador, porém, não falou nada sobre o beijo durante o depoimento na Delegacia de São José dos Pinhais, e só trouxe o caso à tona nesta terça-feira (19), durante a audiência, no Fórum.

Arrombamento da porta

O advogado Claudio Dalledone, que atua na defesa da família Brittes, questionou o investigador quanto aos sinais claros de arrombamento da porta do quarto do casal. O policial, por sua vez, disse acreditar que a porta foi arrombada posteriormente, e que algumas pessoas relataram que usaram o banheiro do quarto durante a festa. 

O investigador disse, ainda, que Edison relatou que ouviu gritos “abafados” de socorro vindos de Cristiana – o que, ao ser ver, não seria possível, já que o barulho na casa era alto.

Continuidade das audiências

A juíza Luciani Martins de Paula, que conduz a audiência de instrução e julgamento sobre o assassinato do jogador Daniel Correa Freias, marcou para os dias 1º, 2 e 3 de abril a continuidade dos depoimentos.


Fonte: www.massanews.com